9º dia da Novena

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Processos para sua Canonização

Embora o venerado Pe. Eymard tivesse deixado aos seus filhos uma preciosíssima herança de exemplos e de virtudes exímias, e o tesouro das suas constituições cheias de seu espírito Eucarístico, não foi possível aos seus religiosos iniciar imediatamente a causa de sua Beatificação. Somente em fins de 1899 se pode dar início aos trabalhos necessários com o processo informativo. E no dia 11 de junho de 1922 o Papa Pio XI fazia publicar o Decreto que reconhecia a heroicidade das virtudes do Venerável Pedro Julião Eymard.

Levou-se adiante o processo para a Beatificação.

A 12 de julho de 1925, na Basílica de São Pedro, ao canto do “Te Deum”, a imagem seráfica do Pe. Eymard se elevava nos fulgores da glória, e a luz de um novo Bem-aventurado vinha constelar o Céu da Igreja.

Enfim, após 37 anos de sua beatificação, o Santo Padre João XXIII mandou publicar no dia 15 de julho de 1962 o Decreto reconhecendo a autenticidade dos dois milagres propostos à Sagrada Congregação dos Ritos para sua canonização.

Canonização – 9 de dezembro de 1962

A nove de dezembro, após a conclusão do primeiro período do Concílio Vaticano II, na Basílica de São Pedro, centro da Igreja Católica, o Santo Padre João XXIII em magnífica solenidade, com definição infalível, declarava que o Pe. Eymard podia ser venerado entre os Santos da Igreja Universal.

João Paulo II inscreveu seu nome no calendário da Igreja e fixou sua festa no dia 02 de agosto, reconhecendo em São Pedro Julião Eymard um Apóstolo da Eucaristia.

São Pedro Julião Eymard, rogai por nós.

8º dia da Novena

VIII DIA

Seus últimos dias

A cidade de Marselha teria a honra de ver despontar o terceiro ramo da Obra: A Agregação do Santíssimo Sacramento. É uma reunião espiritual pela qual cada membro se inspira na vida Eucarística da Congregação, participa do seu fim sob a lei dos deveres do próprio estado e torna-se participante de um modo ativo, de todos os seus méritos e graças espirituais. O espírito do associado é o mesmo espírito de adoração expresso pelos quatro fins do sacrifício do altar: Adoração, Ação de Graças, Reparação e Súplica. Os inscritos obrigam-se a uma hora de adoração mensal e gozam de muitos favores espirituais.

Marselha teve também a honra de ver tributado o primeiro culto a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, honrada como o modelo dos adoradores de Jesus Sacramentado. Acrescentando esta nova gama ao diadema de Maria, o Pe. Eymard pagava o débito de seu reconhecimento à doce Mãe que o dera a Jesus Sacramentado e o sustentara sempre com materna solicitude. E o título, dizia o Pe. Eymard, não representava uma inovação: NOSSA SENHORA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO foi o título novo de uma coisa muito antiga.

Em seu desejo de expansão eucarística, o Pe. Eymard teve ainda, a idéia de formar uma Congregação de Religiosas Adoradoras de Jesus Eucarístico, dando-lhe como modelo Nossa Senhora do Cenáculo, a primeira Adoradora de Jesus Sacramentado. A primeira Fundação da Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento foi realizada em Angers – França, oferecendo a Jesus o primeiro Trono de Adoração Perpétua na Congregação.

Continuou ainda o Pe. Eymard em seu zelo de apóstolo a pregar incansavelmente a Jesus e Jesus Eucarístico. Sua fama se espalhava em vários lugares. Um ano antes de morrer, começou a deixar transparecer, nas frases das suas alocuções mais comoventes, o acento de seu fim próximo. O amor de Cristo o incitava.

A 17 de julho de 1868 deixou Paris, partindo para a aldeia natal, com a esperança de um pouco de alívio aos seus males. Na véspera quis ainda pregar e disse aquelas memoráveis palavras;

– “Sim, nós cremos no amor que Deus nos tem. Crer no amor é tudo aqui; não basta crer na verdade, é preciso crer no amor. E o amor, é Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.”

Chegou enfim a La Mure. Em viagem sofrera uma congestão cerebral. Ali se entregou às mãos da boa irmã Mariana, que tanto o venerava e amava e que o embalara quando criança. Naqueles dias dolorosos nunca se queixou. Impossibilitado de falar pela paralisia que o atingira, sorria a todos, com os olhos serenos. Quando recebeu o Santo Viático e a Unção dos Enfermos, seu rosto mostrava a calma e a serenidade de um santo. Disse então à irmã:

– “Adeus minha irmã: tudo está acabado.” Era o dia 1º de Agosto de 1868. Ele tinha então 57 anos de idade.

A notícia de sua morte lançou a consternação geral na cidade e a multidão veio contemplar devotamente aquele rosto santo, no qual pareciam persistir os reflexos das luzes que brilhavam sobre os altares, que tantas vezes o tinham visto arrebatado no êxtase da adoração.

Seus funerais foram um triunfo, e os Sacerdotes quiseram para si a honra de levar aos ombros o esquife precioso.

7º dia da Novena

VII DIA

Os operários da primeira hora

Escrevia naqueles dias o Pe. Eymard:

Começamos como se começa em um deserto, com um par de lençóis, uma cadeira, uma colher, e não duas… O Divino Mestre nos tomou inesperadamente e nós estamos como gente que sai de um naufrágio.”

Pouco a pouco, porém, benfeitores humildes e grandes fizeram doações e ofertas, e a casa de Deus tomou um aspecto conveniente, depois de alguns trabalhos de alargamento. O Rei Divino já podia ocupar o seu trono de amor e a Obra eucarística, por sua vez, começar a ser revelada em toda a plenitude de sua graça e de sua missão.

– “Faremos, disse ele, a 6 de janeiro, festa da Epifania, a primeira Exposição! O Rei Divino subirá ao seu trono e nós começaremos a sua corte, o ofício de guardas do seu Corpo.”

Na manhã de 6 de janeiro de 1857, a Capelinha apareceu mais bela em seus novos ornamentos. Sobre o Tabernáculo erguia-se o pequeno trono de madeira recoberta de ouro onde ia ser colocado o ostensório de prata dourada. A Missa da Exposição foi celebrada às 8 horas, logo depois o Pe. Eymard tomou posse do genuflexório e fez, de 9 às 10 horas, a primeira hora de adoração pública que ele ofereceu pelo Instituto nascente. “Meu coração, disse ele, estava tão cheio que não podia falar, nem externar seus sentimentos. Eu estava quase mudo e estupefacto.”

Em vista do reduzido número de adoradores, foi concedido licença de fazer a Exposição solene apenas três vezes por semana.

– “São três dias de festa, exclamou ele, mas, quando formos numerosos, tê-la-emos sempre. Será, então, o céu ininterrupto.”

A obra das Primeiras Comunhões tardias era árdua, mas não bastante para vencer o zelo do Pe. Eymard. Precisava tratar com os pobres filhos do povo, ensinados por seus próprios pais a desprezar os sacerdotes, acostumados a todas as traquinagens das ruas, capazes, os mais velhos, de todos os atos mais vergonhosos; e devia levá-los, à luz do Catecismo, às confidências da Penitência, à fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Uma verdadeira subida, da lama aos cumes. E já no dia da Assunção de 1859, os primeiros 12 rapazes estão na Capela iluminada, para a Primeira Comunhão. Depois a obra se estende aos piores e mais mal afamados quarteirões de Paris, e são os próprios filhos que levam a luz às almas de seus pais.

O Padre Eymard trabalhava sem descanso para abrir uma segunda casa. Ele sentia o obstáculo das barreiras que o inimigo levantava em seus passos, e procurava conforto em seu Senhor e nos santos conselheiros a quem podia recorrer. Para isso foi a Ars, onde desabafou no Santo Cura, seu pranto e sua amargura. Teve da parte deste, consolações inefáveis. Abraçaram-se demoradamente os dois Santos. Cena admirável. Precisamente nesse dia novos elementos vieram aumentar as fileiras da Congregação.

6º dia da Novena

VI DIA

A fundação da Obra da Adoração Perpétua

A 18 de abril de 1853 (assim no-lo descreve o Pe. Eymard em carta escrita em 1863) tendo eu mandado a um longo passeio toda a comunidade (do Colégio de La Seyne-sur-Mer) da qual era Diretor, celebrei a Santa Missa e, na ação de graças, fiquei cheio de tantas delícias, que ainda me encontro fora de mim.

Nosso Senhor pediu-me então o sacrifício de minha vocação (de Marista).

Disse SIM a tudo, e fiz voto de dedicar-me até à morte à fundação de uma Congregação de Adoradores. Prometi a Deus que nada me deteria, devesse eu embora comer pedras e acabar no Hospital.

E, principalmente, pedi a Deus (e talvez fosse isto presunção de minha parte), trabalhar sem o menor conforto humano.”

E Deus o ouviu inteiramente. Desde aquele dia, toda a sua vida foi um lento martírio e desde então se separa claramente de seu Nazaré para ir resolutamente ao Cenáculo.

Já está pronto o projeto das Regras, o qual é submetido ao exame de um amigo competentíssimo na matéria; logo envia uma súplica ao Papa Pio IX, na qual expõe os seus grandes desígnios entregando-se todo à bondade do Santo Padre, certo de que Ele cumprirá a vontade de Deus. E de fato, Pio IX responde:

– “A Obra é de Deus e eu a desejo. Usemse todos os meios para fazer conhecer a Divina Eucaristia.”

Conseguida a dispensa de seus votos, o Pe. Eymard parte a 30 de abril de 1856, para Paris, levando apenas 200 francos para a viagem e despesas mais urgentes. E na capital da França, antes de mais nada, se encerra em retiro, sob a direção de conselheiros autorizados.

Mons. de La Boullerie, Bispo de Carcassone D. Sibour, Bispo de Tripoli, e o Arcebispo de Paris, D. Sibour se reuniram para examinaros planos da obra. O Arcebispo, a quem agradavam extraordinariamente os homens de ação, julgava que a obra fosse exclusivamente contemplativa. Mas, quando ouviu o Padre Eymard dizer-lhe…

Nós adoramos, certamente; mas queremos também fazer adorar e nos ocupar das Primeiras Comunhões tardias. Queremos por fogo aos quatro cantos de Paris.

Então abriu-lhe os braços, fê‑lo passar à sala do Conselho, arrastou por seu entusiasmo os outros dois eminentes prelados e finalmente disse aquelas memoráveis palavras:

DESDE HOJE SOIS MEUS FILHOS”

E assim sucedeu. A humilde casa onde ele estivera hospedado por poucos dias, à “Rue d’Enfer, 114”, tornou-se o berço, a Belém da obra nascente. Pequena Belém, pobre como a de Jesus. mas palpitante de amor!

5º dia da Novena

5º DIA

 

Ouvindo o chamado para a vida religiosa

Foi-lhe necessário partir ocultamente; sabia da oposição, das suaves, mas resolutas violências a que teria de submeter-se se suas ovelhas conhecessem a decisão de seu Pastor. Mas a irmã adivinhou tudo, com uma daquelas intuições das almas sensíveis. Encontrou-o no caminho, quando ele tentava furtivamente alcançar o carro, parado fora da aldeia. Com o coração dilacerado disse-lhe soluçando:

– Sei tudo, meu irmão, e não te peço senão um favor: dá-me um dia, só um dia.

– Minha irmã, se te concedo ainda um dia, minha vocação estará perdida por toda a eternidade. DEUS ME CHAMA HOJE; AMANHÃ SERIA MUITO TARDE!

E partiu com o coração sangrando por aquela dolorosa separação.

Enquanto os habitantes de Monteynard, não se consolavam da perda, e insistiam junto ao Bispo para reaver o Pastor fugitivo, ele, no Noviciado dos Maristas, aos pés do altar da Virgem de Fourvière, começava a sentir a suavidade da nova vida espiritual. Logo, foi nomeado Diretor Espiritual dos meninos do Colégio de Belley e fundador da Congregação Mariana. Depois, Provincial e Visitador em Lyon, onde sua fama expande em todas as classes da população, de um modo tão geral, que até a gente humilde da populosa cidade lhe conhece o nome venerado.

Na sua qualidade de Visitador, foi pela primeira vez a Paris, em 1849, e ali conheceu o princípio do movimento Eucarístico, que se formava por meio da devoção das Quarenta Horas, idealizada pela fervorosa Melle. Mauroy, e também pelas Damas Reparadoras e pela Adoração Noturna para os homens. Conheceu então Hermann Cohen e o ex-Capitão de Fragata, Conde Raymundo de Cuers, que mais tarde lhe fez companhia na fundação de sua Congregação.

Diante do quadro de dissolução que reinava na grande cidade, aguçou-se nele o desejo de colocar Jesus Eucarístico em contacto com as almas, em uma forma de vida nova, na qual corações sacerdotais fossem como chamas acesas, consumindo-se perenemente diante do Tabernáculo do Amor.

A 2 de fevereiro de 1851, festa da Purificação de Nossa Senhora, passando pelas 2 horas da tarde diante da Basílica de Fourvière, entrou, como de costume, para rezar. No místico silêncio do templo, que àquela hora estava deserto, foi ajoelhar-se no pavimento e ali começou a derramar todo o ardor de sua alma aos pés do Deus do Tabernáculo.

Estava rezando – conta ele mais tarde – quando se apoderou de mim um pensamento tão forte que me absorveu a ponto de perder completamente todo outro sentimento: para glorificar seu Mistério de Amor, Jesus no SS. Sacramento não tinha um corpo religioso que fizesse disso sua finalidade e a isso dedicasse todos os seus cuidados. Era necessário que houvesse um.”

E o Pe. Eymard não quis sair do bendito Santuário de Fourvière sem prometer a Maria Santíssima dedicar-se desde aquele momento ao que lhe parecia inspirado do céu.

4º dia da Novena

IV DIA

 

4º dia da novena

Alcançando a meta do Sacerdócio

A 3 de março de 1831, Julião Eymard, o honesto e incansável operário, adormecia no Senhor, entre os braços do filho. Agora o caminho está aberto. Em casa não ficam senão Mariana e uma irmã adotiva; e aquela alma pura e rica de Fé, não será certamente obstáculo ao irmão santo.

Ei-lo aos 20 anos, alto, delicado, de saúde precária, apresentar-se no Seminário Maior de Grenoble. No limiar do grande Seminário, meta de seus sonhos, ele canta seu hino de glória e de gratidão a Maria, sua terna protetora. E logo foi indicado como modelo, em todos os ramos da vida recolhida daquela casa de Deus.

Enfim chegou o dia 22 DE JULHO DE 1834, dia da sua Ordenação Sacerdotal.

Quem ousará indagar, quem tentará exprimir o que se operou nesse dia, na alma de Pedro Julião? Oh, Santuário de Nossa Senhora d’Osier! pudessem falar as tuas paredes, pudesse falar o Cálice Sagrado ao qual uniu seus lábios o Sacerdote Santo, para beber pela primeira vez, o Sangue Divino! Estava cumprida a promessa: “Serei padre!”

Foi designado pelo Bispo para ser Coadjutor em Chatte, paróquia de um clima suave e servida por um pároco bondoso e santo.

A Divina Providência que o destinava de modo especial a ser o apóstolo dos sacerdotes, queria prepará-lo com um conhecimento profundo e prático da vida sacerdotal. Assim o veremos em toda a sua carreira sacerdotal, como coadjutor, pároco, diretor espiritual e superior de colégios no meio da juventude, missionário, e mestre de noviços, Superior e Provincial de Instituto Religioso, capelão militar e apóstolo das prisões. Quando chegar ao fim suspirado, poderá dizer que passou por todas as etapas do fatigante caminho.

PÁROCO DE MONTEYNARD

O Bispo, Mons. De Bruillard, percebeu que Monteynard, paróquia que estava abandonada já há anos, necessitava de um Pároco resoluto e zeloso. Lembrou-se então do Pe. Eymard e lhe confiou este novo encargo.

Apenas chegado a Monteynard, o Pe. Pedro Julião Eymard não descansou. Antes de mais nada pensou na casa de Deus, pedindo, aqui e ali, o necessário para restaurar a Igreja em ruínas. Mas na Casa Paroquial, nada de supérfluo. Tudo o que lhe era oferecido pelos generosos paroquianos terminava nas mãos dos pobres: alimentos, dinheiro, roupas. E os doentes? Estes eram os seus prediletos, a eles se dedicava dia e noite e em seu favor aproveitava as noções de medicina aprendidas no Seminário; e isso, com arte de tal modo hábil e suave, que nenhum recusava suas visitas paternas. E assim, ele podia aproximar-se das almas e levá-las pouco a pouco para Deus.

No entanto, o Pe. Eymard que não havia ainda desistido de ser religioso, ficou sabendo da fundação de uma Congregação que se chamava Sociedade de Maria, os Padres Maristas. Dirigiu-se um dia à Colina de Fourvière onde se achava a casa dos Maristas e ali formulou seu propósito de entrar na Sociedade. Não se iludiu, nem ignorava as dificuldades que lhe seriam opostas por seu Bispo. E, de fato, este se opôs energicamente, pois não queria perder um elemento tão precioso para sua Diocese. Mas, quando conheceu que era a vontade de Deus, deteve-se comovido e lhe deu a licença solicitada.

3º dia da Novena

III DIA

3ª dia da novena

Vencendo dificuldades para estudar

Mas, no lagar, o menino com as roupas untadas de óleo, obrigado a reanimar frequentemente o fogo da caldeira e a tocar o burro que girava a mó, estudava sozinho o latim, em uma gramática comprada por poucos cêntimos. E assim passou três anos; lutando e guardando no íntimo o seu segredo. Finalmente, um dia se fez forte, falou aos pais com grande firmeza e por si mesmo procurou e obteve um lugar gratuito que a Municipalidade concedia no Colégio de La Mure.

No Colégio de La Mure tudo lhe lembrava a pobre condição de recolhido por caridade.

Obrigavam-no a todos os misteres, carregavam-no de todas as incumbências, sem que, entretanto, ele se queixasse; antes, corria ao lagar sempre que podia, para ajudar a seu pai.

Mas este não se deu por vencido, e no fim do ano tanto lutou que conseguiu impedir que o filho retomasse o lugar no ano imediato. E ele, dócil, sereno e laborioso, com a alma recolhida em contínua oração, esperava que Deus lhe abrisse um novo caminho.

Em agosto de 1828, sua mãe, a piedosa Maria Madalena Perlose, fechava os olhos para sempre. Quando Pedro chegou à casa paterna, ela já repousava no Cemitério. E ficou só, sem nenhum apoio contra a pertinácia do pai. Mas quando Deus vigia, quem se opõe ao Seu querer?

No ano seguinte, Os Padres Oblatos de Maria Imaculada, fundados em Marselha pelo Padre de Mazenod, foram a La Mure, para pregar um retiro. Pedro Julião abriu a alma dolorida ao Pe. Guibert, e este tanto insistiu junto ao pai, que finalmente conseguiu a permissão desejada. Quinze dias depois, Pedro Julião Eymard entrava no Noviciado dos Oblatos de Maria. É impossível descrever sua alegria. Ele se imerge na vida de contemplação Eucarística e no estudo. Mas este fervor muito intenso no estudo alterou seu físico delicado, e poucos meses depois foi enviado para casa em graves condições de saúde. 0 pai estava desesperado. Parecia-lhe que pela undécima vez a morte ia bater à sua porta.

Nas angústias da agonia, enquanto todos choravam ao redor dele, recitando as preces dos moribundos, e nas Igrejas tocavam tristemente os sinos, Pedro Julião suplicava ao Senhor:

– Dai-me a alegria de dizer ao menos uma Missa. Apenas uma, e depois morrer!

Repentinamente experimentou sentar-se e disse:

Sim, sim, um dia serei Sacerdote e celebrarei a Santa Missa.

O Senhor queria conservar no mundo o seu apóstolo, que tanta glória e tantas almas lhe daria.

2º dia da novena

II dia

2º dia da novena

O atrativo Eucarístico

Realmente Jesus fala a essa criança privilegiada, inspirando-lhe não só profundo horror ao pecado, mas um amor sempre mais ardente e uma fé cada vez mais viva em sua presença real.

Julião compreende, como mais tarde dirá às almas, que o SS. Sacramento não é alguma coisa, mas Alguém. E ama este Alguém, procura agradar-LHE e desejaria unir-se a Ele.

Pelo que inveja a felicidade daquelas almas que podem comungar.

– És muito feliz, fala um dia à sua irmã Mariana por comungar tantas vezes; faze-o uma vez por mim..- Que devo pedir por ti? – Peça, para eu ser muito manso, muito sábio, muito puro e, um dia, Padre.”

Estas são as ambições santas desse menino de cinco anos.

O pequeno Julião crescia assim em um ambiente todo piedoso. Aos 9 anos fez sua primeira confissão. Chamava este dia o dia da sua conversão. Não podendo ainda comungar, aproxima-se o mais que pode de sua irmã Mariana, que voltara da mesa da Comunhão. E ao sair da Igreja, lhe diz comovido:

– Mariana, como sentia o Senhor em ti! Oh! como O sentia!

Pressentimentos prodigiosos de uma alma privilegiada.

No domingo da Paixão, 16 de março de 1823, pode finalmente comungar. Tinha, então, 12 anos. Paixão e Eucaristia! A dor e o amor, sinais particulares de sua vida, coincidiam também nesse dia, como que a preludiar o futuro. E, de fato, que coisa não seria toda a sua vida, senão um amoroso martírio, à semelhança da vida do Divino Mestre?

Aquele dia marcou o início do sagrado poema que ele comporia em toda a sua existência terrena. Foi então que fez a Jesus a grande promessa, que lhe saiu da alma em um ímpeto irrefreável de amor:

– Serei sacerdote, vo-lo prometo.

Trinta anos mais tarde, a lembrança desse dia ainda lhe arrancava lágrimas ardentes de amor e de felicidade.

Não fostes vós que me escolhestes, mas Eu que vos escolhi.”

O filho do cuteleiro de La Mure, o vendedor de óleo, já sentira a voz indistinta, o convite misterioso do Amigo, que o queria para Si. Esperava, porém, o dia em que a voz se fizesse mais clara e o convite mais imperioso. E esse dia chegou. No Santuário de Laus, o Senhor lhe falou por meio de um seu Ministro, o Padre Touche, o qual teve grande influência na sua vida.

O Padre Touche falara com seu tom rude e decidido:

– Amigo, tu não estás onde Deus te quer, tu deves ser Padre.

– Mas meu pai não quer.

– Não há “mas” nenhum. É preciso estudar o latim.

Pobre pai! Humanamente falando, era digno de compaixão. Tinha perdido tantos filhos. E o único que lhe ficava, devia dá-lo a Deus? Opôs então a recusa mais resoluta e não deu ouvidos aos pedidos insistentes e suplicantes do filho angustiado. E durante muito tempo, em sua casa não se falou mais do assunto.

Meditação para a Novena

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O Apóstolo da Eucaristia

São Pedro Julião Eymard é chamado o Apóstolo da Eucaristia, pelo grande amor que teve ao Santíssimo Sacramento, um amor que toma um caráter todo pessoal; é uma chama que o devora, uma paixão que não lhe permite descanso, um tormento que nunca se aplaca. Seu grande coração não se sacia, enquanto não consegue ver realizado seu sonho: o triunfo de Jesus Eucarístico.

Vamos nestes dias da Novena preparatória para sua festa conhecer um pouco mais de sua vida, seguindo um pequeno resumo dos momentos principais que marcaram sua escalada Eucarística.

1º dia da novena

Nascimento e primeira infância

A 4 de Fevereiro de 1811, o Céu sorrindo à terra, enviou-lhe um filho abençoado, destinado a ser o Fundador da Obra da Adoração Perpétua.

Foi em La Mure d’Isère, diocese de Grenoble, que o menino viu a luz do dia. Seu pai Julião Eymard, profundamente cristão e sua mãe Maria Madalena Perlose, cuja piedade era tão terna quanto esclarecida, apressaram-se em fazê-lo batizar no dia seguinte. Ao tornar-se filho de Deus e da Igreja, recebeu o nome de Pedro Julião. A senhora Eymard, mesmo antes do nascimento de Pedro Julião, não cessava de oferecer a Jesus o filho que esperava; sentia-se solicitada interiormente, a pedir ao bom Mestre que a vida dessa criança fosse inteiramente consagrada ao seu serviço. Agora compreende tão bem a grandeza e importância de seu papel de mãe que não descuida, em nenhuma ocasião, de por essa almazinha em contacto com Jesus-Hóstia conduzindo-a suavemente ao Santíssimo Sacramento. Leva-o muitas vezes à igreja, e, logo que ouve tocar a benção do SS. Sacramento, corre a oferecê-lo ao bom Deus. Assim que Jesus na irradiação do ostensório, recebe os primeiros olhares do pequeno Julião, bondosamente, os retribui atraindo a Si essa alma inocente e pura. Julião cresce nessa atmosfera de fé e piedade desenvolvendo nele o amor pela Eucaristia. Sua maior alegria era seguir a mãe em suas visitas quotidianas ao Santíssimo Sacramento; e por mais longas que fossem, não se aborrece nem pede para sair. Jesus-Hóstia atraia, tanto mais essa alma angélica, que as visitas feitas em companhia da mãe não lhe satisfazem mais. Julião, ávido por tornar a ver Jesus, escapa às vezes da casa paterna para ir à Igreja.

Um dia, o menino de apenas cinco anos, fugindo à vigilância de sua irmã Mariana, corre à Igreja, entra no presbitério, passa por traz do altar e sobe como pode, pela escadinha que servia para a Exposição do SS. Sacramento. Chega assim ao lado do Tabernáculo e apóia a cabecinha à porta dourada. Descoberto pela irmã, que o procurara por toda a parte, não se perturba por suas recriminações e dá uma daquelas respostas admiráveis que são a revelação das almas já marcadas por Deus.

– Que fazes nesse lugar? – pergunta-lhe a irmã.

– Oração, responde a criança.

– Mas, por que subiste até aí?

– Porque aqui O escuto melhor.

Prelúdio daqueles secretos e inefáveis colóquios que mais tarde ele entreterá com o seu Senhor, diante dos Tabernáculos luminosos onde passará a maior parte de sua vida.

Oração da novena

Novena a São Pedro Julião Eymard

São Pedro Julião Eymard

Pai e Mestre dos adoradores de

Jesus Sacramentado

Louvores e graças se dêem a todo momento

Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.

– São Pedro Julião Eymard, abrasai nosso coração de amor e de zelo para que Jesus presente na Eucaristia seja amado e glorificado. Alcançai-nos do Coração Eucarístico de Jesus a graça que, pela vossa intercessão, desejamos obter, se for para a maior glória da Augustíssima Trindade, e para o bem de nossas almas.

Breve pausa

Glória ao Pai…

– São Pedro Julião, que com tanto fervor oferecestes à Santíssima Trindade o preciosíssimo Sacrifício Eucarístico, vos prometemos participar todos os domingos da Santa Missa. Intercedei-nos a graça que desejamos alcançar.

Breve pausa

Glória ao Pai…

– São Pedro Julião, que comungando fervorosamente hauristes de Jesus a força para ser puro, paciente, benigno, forte, prudente, justo, temperante, vos prometemos fazer a Santa Comunhão freqüentemente e com pureza de coração, com amor e confiança. Alcançai-nos a graça que ardentemente desejamos.

Breve pausa

Glória ao Pai…

– Ó Santo Eymard, lembrados do vosso grito de fé: “Jesus está na Hóstia consagrada. Todos para Ele!”,convidaremos a muitos para que tenham fé na afirmação de Jesus : “Vinde a mim todos os que estais fatigados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.”

3 vezes: São Pedro Julião Eymard, rogai por nós.