1º dia da Novena

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O Apóstolo da Eucaristia

São Pedro Julião Eymard é chamado o Apóstolo da Eucaristia, pelo grande amor que teve ao Santíssimo Sacramento, um amor que toma um caráter todo pessoal; é uma chama que o devora, uma paixão que não lhe permite descanso, um tormento que nunca se aplaca. Seu grande coração não se sacia, enquanto não consegue ver realizado seu sonho: o triunfo de Jesus Eucarístico.

Vamos nestes dias da Novena preparatória para sua festa conhecer um pouco mais de sua vida, seguindo um pequeno resumo dos momentos principais que marcaram sua escalada Eucarística.

1º dia da novena

Nascimento e primeira infância

A 4 de Fevereiro de 1811, o Céu sorrindo à terra, enviou-lhe um filho abençoado, destinado a ser o Fundador da Obra da Adoração Perpétua.

Foi em La Mure d’Isère, diocese de Grenoble, que o menino viu a luz do dia. Seu pai Julião Eymard, profundamente cristão e sua mãe Maria Madalena Perlose, cuja piedade era tão terna quanto esclarecida, apressaram-se em fazê-lo batizar no dia seguinte. Ao tornar-se filho de Deus e da Igreja, recebeu o nome de Pedro Julião. A senhora Eymard, mesmo antes do nascimento de Pedro Julião, não cessava de oferecer a Jesus o filho que esperava; sentia-se solicitada interiormente, a pedir ao bom Mestre que a vida dessa criança fosse inteiramente consagrada ao seu serviço. Agora compreende tão bem a grandeza e importância de seu papel de mãe que não descuida, em nenhuma ocasião, de por essa almazinha em contacto com Jesus-Hóstia conduzindo-a suavemente ao Santíssimo Sacramento. Leva-o muitas vezes à igreja, e, logo que ouve tocar a benção do SS. Sacramento, corre a oferecê-lo ao bom Deus. Assim que Jesus na irradiação do ostensório, recebe os primeiros olhares do pequeno Julião, bondosamente, os retribui atraindo a Si essa alma inocente e pura. Julião cresce nessa atmosfera de fé e piedade desenvolvendo nele o amor pela Eucaristia. Sua maior alegria era seguir a mãe em suas visitas quotidianas ao Santíssimo Sacramento; e por mais longas que fossem, não se aborrece nem pede para sair. Jesus-Hóstia atraia, tanto mais essa alma angélica, que as visitas feitas em companhia da mãe não lhe satisfazem mais. Julião, ávido por tornar a ver Jesus, escapa às vezes da casa paterna para ir à Igreja.

Um dia, o menino de apenas cinco anos, fugindo à vigilância de sua irmã Mariana, corre à Igreja, entra no presbitério, passa por traz do altar e sobe como pode, pela escadinha que servia para a Exposição do SS. Sacramento. Chega assim ao lado do Tabernáculo e apóia a cabecinha à porta dourada. Descoberto pela irmã, que o procurara por toda a parte, não se perturba por suas recriminações e dá uma daquelas respostas admiráveis que são a revelação das almas já marcadas por Deus.

– Que fazes nesse lugar? – pergunta-lhe a irmã.

– Oração, responde a criança.

– Mas, por que subiste até aí?

– Porque aqui O escuto melhor.

Prelúdio daqueles secretos e inefáveis colóquios que mais tarde ele entreterá com o seu Senhor, diante dos Tabernáculos luminosos onde passará a maior parte de sua vida.

A EUCARISTIA PRINCÍPIO DE VIDA

 

DSC_8342(Trecho das Obras Completas de São Pedro Julião Eymard)

… Jesus Cristo nos comunica sua vida por sua graça, seu espírito e sua verdade, que é Ele mesmo.

Por sua graça, não somente como a que é dada a todo cristão, mas de uma maneira especial pelo atrativo eucarístico. Este atrativo é, primeiramente, de sentimento. Sentimo-nos felizes e temos devoção pela Eucaristia; mas esta atração de doçura e consolação passa. Para que uma atração seja verdadeira é preciso que tudo se dirija a ela; que os pensamentos e as ações não tenham outro fim; que em tudo vejamos o pensamento eucarístico, mesmo naquilo que não temos nenhuma relação com ele: leituras, sermões, práticas das virtudes, meditações, enfim, toda a vida. É assim que Jesus Cristo nos comunica seu espírito.

O leite da mãe dá à criança suas inclinações, sua vida física, saúde ou doença. Jesus tornando-se nosso alimento nos transformará nele, como o perfeito absorve sempre o imperfeito. Pensaremos como Jesus Cristo, agiremos igual a Ele. Com o ar que respiramos é o princípio da nossa vida material, assim também vivendo cada dia da Eucaristia, respiraremos somente esta atmosfera divina. Como São Paulo não conhecia senão Jesus crucificado (cf. 1Cor 2,2), nós não conheceremos senão Jesus Eucaristia. Então encontraremos a verdade de Jesus Cristo. Nos outros estados de sua vida Ele apenas passou e não colocou neles toda a sua verdade: em Belém mostra sua pobreza e sua humildade; em Nazaré sua vida escondida; no Calvário seus sofrimentos e seu amor, mas, na Eucaristia Jesus resume toda sua verdade, resume a si mesmo.

Podemos, portanto, encontrar na Eucaristia todos os estados de Jesus e conformar nossa vida eucarística com eles. Ele mesmo nos fará passar por eles. Todos esses diversos estados se tornarão nossa vida habitual. Finalmente, através deles, Jesus simplificará nossa alma que terá apenas uma finalidade, uma vida: Jesus Eucaristia.

Venha adorar conosco

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A Igreja e o mundo precisam de Jovens que não tenham medo de assumir compromissos sérios e definitivos. Aliás, somente assim a vida humana pode ser plenamente realizada.

Nós, as Servas do Santíssimo Sacramento da Adoração Perpétua, existimos para amar, adorar, servir a Jesus Eucarístico Solene e Perpetuamente Exposto em Seu Trono de graças e de Misericórdia. Mas adoramos e queremos fazer adorar. A nossa missão na Igreja é, antes de tudo, uma missão orante, mas, através do nosso Serviço Perpétuo ao Culto da Exposição Perpétua do Santíssimo Sacramento, permitimos que este Rei de Amor esteja durante todo o dia à disposição de todos aqueles que vêm procurá-LO. Somos uma Congregação Religiosa Contemplativa Adoradora, mas a nossa Vocação é eminentemente eclesial e apostólica. Sem ultrapassar os muros do Convento, podemos atingir toda a nossa Diocese, nossa Pátria, a Igreja inteira, o mundo inteiro.

Na origem de nossa Congregação está aquele Carisma luminoso inspirado pelo Espírito Santo pela mediação de Nossa Senhora, ao coração apaixonado de São Pedro Julião Eymard que é, por todos conhecido como o grande “Apóstolo da Eucaristia”. De fato, estando ele em oração no Santuário de Nossa Senhora de Fourvière, na França – seu país de origem – recebeu de Nossa Senhora a seguinte inspiração: “TODOS OS MISTÉRIOS DA VIDA DE MEU FILHO TÊM UMA CONGREGAÇÃO RELIGIOSA QUE OS HONRA, MAS O MAIOR DOS MISTÉRIOS QUE É A SANTÍSSIMA EUCARISTIA NÃO TEM. VOCÊ NÃO QUER FUNDAR UMA?” E são Pedro Julião Eymard prometeu a Nossa Senhora dedicar-se inteiramente a esta Obra, mesmo à custa do sacrifício da própria vida. E assim o fez, depois de maduro e obediente discernimento.

Hoje, somos guiadas pelo desejo de fidelidade a este mesmo Carisma, recebido por São Pedro Julião Eymard, e acolhido pela Santa Igreja como um maravilhoso dom para o bem de todo o Povo de Deus. Desejamos e rezamos continuamente para que o Pai do Céu continue a atrair sempre mais numerosas Jovens a se consagrarem inteiramente a este sublime ideal da Adoração Perpétua de Jesus Sacramentado para glorificá-LO e levar todas as pessoas aos Seus Pés, pois é Ele o único Salvador da humanidade.

São Pedro Julião Eymard fundou, pois, a Obra da Adoração Perpétua: Jesus permanece dia e noite no Santíssimo Sacramento, permaneçamos dia e noite aos Seus Pés. E esta Adoração deve ser Solene: Jesus é o Rei do Céu e da terra, Ele deve ser tratado ao menos como são tratados os reis da terra. Deve também ser pública: Se Ele permanece em todos os Sacrários da terra, é porque Ele quer estar disponível para todos e a todo tempo. A nossa vida Adoradora deve oferecer a Jesus Eucarístico uma Festa de Corpus Christi perpétua. Sim, este era o desejo do grande Apóstolo da Eucaristia: que a Solenidade de Corpus Christi não seja apenas um dia no ano, mas todos os dias, sem cessar.

 

Retiro dos Zeladores da Guarda de Honra

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NO DIA 17 DE AGOSTO, DIA EM QUE CELEBRAMOS (AQUI NO BRASIL) A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AOS CÉUS, ACONTECEU O RETIRO DOS ZELADORES DA GUARDA DE HONRA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DA CAPELA DAS IRMÃS SACRAMENTINAS.

FOI UM DIA DE MUITA ORAÇÃO E FORMAÇÃO ESPIRITUAL.

O ENCONTRO FOI REALIZADO NO SALÃO DA GUARDA DE HONRA, NO CONVENTO DAS IRMÃS SACRAMENTINAS.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE DOM ANTONIO AFONSO DE MIRANDA, BISPO EMÉRITO DE TAUBATÉ. QUE FALOU SOBRE A FÉ NA PRESENÇA REAL DE JESUS E NO DEVER QUE OS ZELADORES TÊM DE ENSINAR AOS SEUS ZELADOS A ESTAREM ATENTOS A JESUS EUCARISTICO. ENSINÁ-LOS A FAZER A ADORAÇÃO E A FALAR COM JESUS SACRAMENTADO SOBRE SEUS PROBLEMAS.

EM UM SEGUNDO MOMENTO FALOU SOBRE A CONFISSÃO, SOBRE A NOSSA SINCERIDADE E CORAGEM DE NOS CONFESSARMOS BEM. CONFESSARMOS NOSSOS PRÓPRIOS PECADOS E NÃO OS DOS OUTROS. FALOU DA NECESSIDADE DE NOS ARREPENDERMOS E DA VONTADE DE NOS CORRIGIRMOS.

CLÁUDIA MARIA – DA COMUNIDADE SÃO CARLOS BORROMEU – S. PAULO – DEU UM LINDO TESTEMUNHO SOBRE A FÉ NA EUCARISTIA.

PADRE MARCELO REIS SCJ, REITOR DO CONVENTINHO – TAMBÉM ESTEVE PRESENTE E FALOU SOBRE A NECESSIDADE DE ACREDITARMOS REALMENTE QUE DEUS ESTÁ PRESENTE NA EUCARISTIA. FRISOU QUE OS ZELADORES FAZEM POR AMOR SEU TRABALHO. FALOU TAMBÉM DA NECESSIDADE DE SE FAZER UM PROJETO DE VIDA ESPIRITUAL PARA SE APROFUNDAR NA VIDA ESPIRITUAL.

DA NECESSIDADE DE CRIAR VÍNCULOS COM OS ZELADOS, CONVERSAR MAIS COM ELES E DAR TESTEMUNHO DE NOSSA VIDA.

PADRE MATHEUS – REITOR DO SEMINÁRIO SANTO ANTONIO (FILOSOFIA) – FALOU DA RESPONSABILIDADE E DA ALEGRIA QUE DEVEM MARCAR OS ZELADORES. E DA NECESSIDADE DE TRABALHAR NA VINHA DO SENHOR COM AMOR E MUITA FÉ. OS ZELADORES DEVEM DAR SUA VIDA PELA CAUSA E SE COMPROMETER TOTALMENTE POR AQUELE QUE NOS AMOU PRIMEIRO. DEVEM SER FIÉIS FREQUENTADORES DO SANTUÁRIO DA ADORAÇÃO PERPÉTUA, CUMPRIR BEM SEU DEVER DE ZELADORES E ACIMA DE TUDO REZAR PELOS SEUS ZELADOS.

HOUVE NOS INTERVALOS MOMENTOS DE MEDITAÇÃO SILENCIOSA E MOMENTOS DE SE COLOCAR TESTEMUNHOS EM COMUM.

OS ZELADORES FIZERAM TAMBÉM UM MOMENTO MARIANO, MEDITANDO A ORAÇÃO DO TERÇO EM PROCISSÃO COM A IMAGEM DE NOSSA SENHORA NO QUINTAL DE NOSSO CONVENTO.

O ENCONTRO CONTOU TAMBÉM COM VÁRIAS PESSOAS QUE AJUDARAM NO BOM DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES.

O ENCONTRO ENCERROU-SE COM A SANTA MISSA DAS 17 HORAS CELEBRADA PELO PADRE RICARDO CASSIANO – PÁROCO DA PARÓQUIA SÃO JOÃO BOSCO.

A TODOS O NOSSO SINCERO AGRADECIMENTO.

sERVAS DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DA ADORAÇÃO PERPÉTUA

IRMÃS SACRAMENTINAS

 

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Um pouco de história II parte

A mãe de Pedro Julião Eymard, Maria Madalena Pérlose, era muito piedosa; não deixava passar um dia sem ir ajoelhar-se ao menos por alguns minutos, na Igreja.

Certo dia, no momento de partir, vê seu pequenino Julião, ainda em faixas, que lhe parece estender os braços. A mamãe acomoda o filhinho nas dobras de seu avental e uma vez na Igreja, toma-o nas mãos, apresentando-o, ao soar a campainha, e entre os transportes de seu coração materno, à bênção traçada pelo Ostensório. Maria Madalena, de então em diante, fará sempre assim, quando for dada a bênção para os agonizantes, pois o pequeno, mantendo-se quieto, não perturba o recolhimento. Disse alguém que a educação de uma criança começa aos quatro meses: assim aconteceu com a educação eucarística de Julião Eymard.

Quando já um pouco crescido e sabendo andar sozinho, sua felicidade será acompanhar sua mamãe à Igreja. Segundo a declaração de uma testemunha, jamais ele dizia: “Vamos embora”. Jamais também a mamãe viu-se obrigada a deixar a Missa ou a bênção por causa do filhinho.

Desde pequenino teve ele o sentimento da presença real. Com seis anos apenas, acompanhava com um profundo olhar sua mamãe e sua Irmã, quando estas se aproximavam da Santa Mesa. Certa manhã, ao votar da Igreja, Mariana tomando Julião sobre os joelhos, o irmãozinho recostou-se afetuosamente sobre ela, dizendo-lhe: “Oh! tens um cheiro de Jesus !”

Por volta dos sete anos, mais de uma vez o pequeno Eymard saiu de casa, ausentando-se por alguns minutos, sem ousar dizer onde ia. Seus pais, entretanto, não o repreendiam: sabiam que ele ia à Igreja. Um dia, porém, inquietaram-se, porque Julião tardava a chegar. Annette Bernard, sua irmã de leite, foi mandada à Igreja, procurá-lo. Mas, na penumbra da nave, Julião não estava. Onde teria ele se escondido para rezar? Teria tido a audácia de penetrar no coro? Ajoelhada na Mesa da comunhão, Annette inspeciona as “stalles”. Julião não está. Vencendo sua timidez, a menina vai olhar até mesmo atrás do altar. Que descobre ela? O pequeno, de joelhos, na escada que serve ao Sacerdote para expor o Ssmo. Sacramento. Com a cabeça apoiada no Tabernáculo, Julião permanece imóvel.

Há quanto tempo te procuramos!… exclama Annette. Que fazes tu aí?

– Ora minha oração!

– E porque a fazes tu no alto da escada? Em que pensas tu?

E Julião responde, mostrando, com um gesto, o Tabernáculo onde Jesus repousa: “N’Ele… aí, o escuto e O entendo melhor.”

Não é de estranhar, portanto, que em suas notas íntimas, ao enumerar mais tarde as graças recebidas no decorrer da vida, escreva ele: “Graça da comunhão. O sonho de meus oito anos: tudo para ela.”Igreja II

Julião fazia parte dos meninos do coro; chegou mesmo a ser cerimoniário. O costume exigia, em La Mure, do que estava escalado para acolitar a Missa, que, durante o quarto de hora que precedia, percorresse as ruas, chamando os fiéis com o toque de uma campainha. Era um oficio muito caro a todos os coristas, que mesmo o disputavam. Julião, se fosse possível, desempenhá-lo-ia diariamente. Em todo caso, lançara mão de um estratagema, a fim de poder anunciara a Missa com mais frequência do que lhe permitia o turno dos coristas: passando à tarde pela Igreja, muitas vezes cedia à tentação de tomar a campainha e levá-la para casa; prevenia assim toda concorrência.

Mas, será que Julião não tinha defeitos? Sua fronte larga e boleada denotava teimosia. Em seus olhos vivos, perpassavam relâmpagos, não raro; verdade é, porém, que as doces reprimendas da mamãe desfaziam esses ímpetos passageiros. Julião era também curioso e perscrutador; apesar das proibições expressas, era surpreendido explorando armários e cartazes. Repreendido severamente certa vez, prometeu corrigir-se e cumpriu sua palavra.”