A Apresentação de Nosso Senhor

(Trechos tirados das Obras Completas de São Pedro Julião Eymard            

      com data de 02 de fevereiro de 1863)

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A Apresentação de Nosso Senhor e a Purificação da SSma. Virgem, ocasionaram uma grande festa no céu e na terra: no céu, porque ele nunca recebeu uma vítima mais importante do que N. Senhor nos braços de sua mãe; na terra, porque nunca houve um presente tão belo. Este presente foi fruto da terra, da flor de Jessé (cf. Is 11,1), o fruto da virgindade de Maria. A terra ficou muito rica; os Anjos do céu nunca puderam igualar o dom feito por Maria e nem mesmo serem comparados com ele.

Foi predito que a glória do segundo Templo ultrapassaria a do primeiro. … Então apareceu um profeta e disse: Este Templo, que desprezais, terá mais esplendor do que o outro, pois receberá o cordeiro dominador, o Messias. Ele será mais importante do que o outro (cf. Ag. 2, 1-9)

Com efeito, este Templo foi mais importante, pois viu Nosso Senhor no dia da sua apresentação (cf. Lc 2,22-38). Nesse dia havia tudo, primeiro para honrar o céu, Jesus Cristo; depois, ao redor de Jesus Cristo, tudo o que a terra tinha de grandioso e santo. Lá no Templo estava o velho Simeão; o mais justo, tendo recebido a promessa de que não morreria antes de ver o Messias. Por inspiração do Espírito Santo veio ao Templo neste momento; foi então que tomou Nosso Senhor em seus braços e foi iluminado, tornando-se um profeta. Eis um sacerdote, um profeta, um justo. Depois veio uma mulher, uma profetisa, Ana. Ela também foi inspirada pelo Espírito Santo e encheu-se de alegria. Não dizemos suas palavras, mas as de Simeão, pois eram palavras da autoridade. Dizem que era grande sacerdote; enquanto que Ana era uma simples mulher que não falava no Templo. Ela disse tudo o que o amor pode dizer. Depois havia ainda a SSma. Virgem – a imaculada, a mãe de N. Senhor – e São José. Tudo se uniu para exaltar a apresentação de Nosso Senhor. Não falo do céu, o Pai celeste não fala, porque o menino Jesus não falava. Ele se reservava para um dia maior, eis por que se contenta de receber a homenagem do seu coração. (…)

Foi pelas mãos de Maria que Nosso Senhor quis ser oferecido. São José não aparece no mistério da Apresentação de Nosso Senhor. Ele acompanhou, mas não foi ele que ofereceu Nosso Senhor. O Espírito Santo é sempre verdadeiro em sua bondade como em sua verdade. A SSma. Virgem leva o menino Jesus, Ele pertence-lhe, que faz ela? Apresenta-o a Deus, o padre é somente ministro; ela sabia muito bem que Ele era o Messias, os Anjos lhe disseram. Não sabia apenas uma coisa que Deus escondera; Ele queria deixar-lhe o prazer e a alegria da maternidade durante quarenta dias. É a Igreja que o diz, quarenta dias para desfrutar o prazer maternal e divino. Ela oferece o menino Jesus. Compreendei bem que oferecendo-o, ela se oferece para segui-lo em todas as suas cruzes, em todas as suas provações. O amor só se alimenta de provações e sacrifícios. A SSma. Virgem aceitou todos os sacrifícios possíveis, eis o que devia fazer e foi o que ela fez.

Imaginai a SSma. Virgem com o menino Jesus nos braços, oferecendo-o ao Pai eterno. Nunca houve um sacrifício igual. Como Maria se sentia feliz com seu belo fardo! E o Menino Jesus jamais encontrou mãos sacerdotais mais puras do que as de sua Mãe.

O velho Simeão, um profeta, aparece, o que dirá este velho? A SSma. Virgem se oferece para todos os sacrifícios; o amor nunca fica sem sofrimento. é neste momento que o Bom Deus a detém: Eis que estou preparada para sofrer com meu divino filho tudo o que quiserdes. O Pai celeste só aguardava este momento para se desfazer do rigor do seu amor. Simeão disse: Este menino será posto para a ressurreição e queda de muitos e uma espada de dor transpassará vosso coração (cf. Lc 2,34,35). ele não disse vossa alma, o coração é mais do que a alma. Como este homem, este Simeão foi cruel: isso é coisa que se diz a uma mãe! Como! Ele que dizia: Deixai vosso servo ir em paz, pois meus olhos viram a luz que brilhará sobre todas as nações e a glória do povo de Israel. (cf. Lc2,29-32) É possível, depois de ter cantado a glória de Deus, cantar a dor de uma mãe? O mundo diria que é cruel. Como! Ela é mãe apenas há quarenta dias e já sofreu tanto frio e outros incômodos. Deixa-lhe, portanto, trinta anos de felicidade; já seria muito dizer-lhe três dias antes, ao menos três anos. Deixai-lhe a felicidade da vida escondida em Nazaré, sem revelar-lhe o capítulo quinquagésimo terceiro de Isaías! Para uma mãe evitamos falar sobre isso, especialmente quando é Deus que o faz.

 

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