5º dia da Novena

5º DIA

 

Ouvindo o chamado para a vida religiosa

Foi-lhe necessário partir ocultamente; sabia da oposição, das suaves, mas resolutas violências a que teria de submeter-se se suas ovelhas conhecessem a decisão de seu Pastor. Mas a irmã adivinhou tudo, com uma daquelas intuições das almas sensíveis. Encontrou-o no caminho, quando ele tentava furtivamente alcançar o carro, parado fora da aldeia. Com o coração dilacerado disse-lhe soluçando:

– Sei tudo, meu irmão, e não te peço senão um favor: dá-me um dia, só um dia.

– Minha irmã, se te concedo ainda um dia, minha vocação estará perdida por toda a eternidade. DEUS ME CHAMA HOJE; AMANHÃ SERIA MUITO TARDE!

E partiu com o coração sangrando por aquela dolorosa separação.

Enquanto os habitantes de Monteynard, não se consolavam da perda, e insistiam junto ao Bispo para reaver o Pastor fugitivo, ele, no Noviciado dos Maristas, aos pés do altar da Virgem de Fourvière, começava a sentir a suavidade da nova vida espiritual. Logo, foi nomeado Diretor Espiritual dos meninos do Colégio de Belley e fundador da Congregação Mariana. Depois, Provincial e Visitador em Lyon, onde sua fama expande em todas as classes da população, de um modo tão geral, que até a gente humilde da populosa cidade lhe conhece o nome venerado.

Na sua qualidade de Visitador, foi pela primeira vez a Paris, em 1849, e ali conheceu o princípio do movimento Eucarístico, que se formava por meio da devoção das Quarenta Horas, idealizada pela fervorosa Melle. Mauroy, e também pelas Damas Reparadoras e pela Adoração Noturna para os homens. Conheceu então Hermann Cohen e o ex-Capitão de Fragata, Conde Raymundo de Cuers, que mais tarde lhe fez companhia na fundação de sua Congregação.

Diante do quadro de dissolução que reinava na grande cidade, aguçou-se nele o desejo de colocar Jesus Eucarístico em contacto com as almas, em uma forma de vida nova, na qual corações sacerdotais fossem como chamas acesas, consumindo-se perenemente diante do Tabernáculo do Amor.

A 2 de fevereiro de 1851, festa da Purificação de Nossa Senhora, passando pelas 2 horas da tarde diante da Basílica de Fourvière, entrou, como de costume, para rezar. No místico silêncio do templo, que àquela hora estava deserto, foi ajoelhar-se no pavimento e ali começou a derramar todo o ardor de sua alma aos pés do Deus do Tabernáculo.

Estava rezando – conta ele mais tarde – quando se apoderou de mim um pensamento tão forte que me absorveu a ponto de perder completamente todo outro sentimento: para glorificar seu Mistério de Amor, Jesus no SS. Sacramento não tinha um corpo religioso que fizesse disso sua finalidade e a isso dedicasse todos os seus cuidados. Era necessário que houvesse um.”

E o Pe. Eymard não quis sair do bendito Santuário de Fourvière sem prometer a Maria Santíssima dedicar-se desde aquele momento ao que lhe parecia inspirado do céu.

Adicionar a favoritos link permanente.

Comentários fechados.