7º dia da Novena

VII DIA

Os operários da primeira hora

Escrevia naqueles dias o Pe. Eymard:

Começamos como se começa em um deserto, com um par de lençóis, uma cadeira, uma colher, e não duas… O Divino Mestre nos tomou inesperadamente e nós estamos como gente que sai de um naufrágio.”

Pouco a pouco, porém, benfeitores humildes e grandes fizeram doações e ofertas, e a casa de Deus tomou um aspecto conveniente, depois de alguns trabalhos de alargamento. O Rei Divino já podia ocupar o seu trono de amor e a Obra eucarística, por sua vez, começar a ser revelada em toda a plenitude de sua graça e de sua missão.

– “Faremos, disse ele, a 6 de janeiro, festa da Epifania, a primeira Exposição! O Rei Divino subirá ao seu trono e nós começaremos a sua corte, o ofício de guardas do seu Corpo.”

Na manhã de 6 de janeiro de 1857, a Capelinha apareceu mais bela em seus novos ornamentos. Sobre o Tabernáculo erguia-se o pequeno trono de madeira recoberta de ouro onde ia ser colocado o ostensório de prata dourada. A Missa da Exposição foi celebrada às 8 horas, logo depois o Pe. Eymard tomou posse do genuflexório e fez, de 9 às 10 horas, a primeira hora de adoração pública que ele ofereceu pelo Instituto nascente. “Meu coração, disse ele, estava tão cheio que não podia falar, nem externar seus sentimentos. Eu estava quase mudo e estupefacto.”

Em vista do reduzido número de adoradores, foi concedido licença de fazer a Exposição solene apenas três vezes por semana.

– “São três dias de festa, exclamou ele, mas, quando formos numerosos, tê-la-emos sempre. Será, então, o céu ininterrupto.”

A obra das Primeiras Comunhões tardias era árdua, mas não bastante para vencer o zelo do Pe. Eymard. Precisava tratar com os pobres filhos do povo, ensinados por seus próprios pais a desprezar os sacerdotes, acostumados a todas as traquinagens das ruas, capazes, os mais velhos, de todos os atos mais vergonhosos; e devia levá-los, à luz do Catecismo, às confidências da Penitência, à fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Uma verdadeira subida, da lama aos cumes. E já no dia da Assunção de 1859, os primeiros 12 rapazes estão na Capela iluminada, para a Primeira Comunhão. Depois a obra se estende aos piores e mais mal afamados quarteirões de Paris, e são os próprios filhos que levam a luz às almas de seus pais.

O Padre Eymard trabalhava sem descanso para abrir uma segunda casa. Ele sentia o obstáculo das barreiras que o inimigo levantava em seus passos, e procurava conforto em seu Senhor e nos santos conselheiros a quem podia recorrer. Para isso foi a Ars, onde desabafou no Santo Cura, seu pranto e sua amargura. Teve da parte deste, consolações inefáveis. Abraçaram-se demoradamente os dois Santos. Cena admirável. Precisamente nesse dia novos elementos vieram aumentar as fileiras da Congregação.

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