Uma alma missionária

Bicentenário de São Pedro Julião Eymard

Uma alma missionária

Temos visto nos artigos precedentes como o Padre Eymard se pôs ardentemente ao trabalho de santificação das almas a ele confiado, como Coadjutor de Chatte e Pároco de Monteynard – Diocese de Grenoble, França.

Todavia, ele se sentia cada vez mais atraído para a vida religiosa. Através de um amigo o Padre Touche que tanto o incentivara quando ele era ainda um menino, tomou conhecimento da existência dos religiosos Maristas.

A Congregação Marista, chamada em França Sociedade de Maria, não contava senão poucos anos de existência. Aprovada pela Santa Sé apenas dois anos antes, se dedicava a várias formas de apostolado, mas visava principalmente a evangelização entre os camponeses, com as santas missões, e a instrução catequética às crianças. A este viera juntar-se outro objetivo, novo e não incluído no primitivo plano: as missões na Oceania. Fora justamente este objetivo a causa providencial da sua recente aprovação.

O Padre Eymard não poderia encontrar uma Congregação Religiosa Mariana que melhor correspondesse a suas aspirações secretas, porque fazer-se missionário fora até então o mais belo sonho de sua vida. “Ah! – exclamava um dia – quanto me sentiria feliz de partir para as missões estrangeiras, mesmo que pouco ou nada pudesse fazer, só para oferecer a Deus o sacrifício inteiro de mim mesmo, de minha terra, de meus parentes, de meus amigos e conhecidos, de minha língua materna, de tudo quanto aprendi, e ser obrigado a recomeçar com novos elementos!… Ah! que belo momento aquele em que, com um pé sobre a terra e outro já no navio, deixa-se tudo, tudo se sacrifica para dar-se a Deus somente! É o ato de amor perfeito. Sim. Fazer a Deus este sacrifício uma vez, e depois morrer! Eis para mim o cúmulo da felicidade.”

Edificado com o testemunho de grande simplicidade, abnegação e pobreza desta comunidade nascente, apressa-se a pedir autorização de seu Bispo para deixar a diocese a fim de ingressar nesta família religiosa.

Pela vontade divina claramente manifesta, o pároco de Monteynard deixa a paróquia a fim de entrar no Noviciado dos Maristas, sem esperar nem um só dia. À sua irmã Mariana que lhe pedia que ficasse ainda um dia com ela, disse: “Deus me chama hoje, amanhã seria muito tarde”.

Nesta Congregação exerceu vários cargos como Diretor do Colégio de Belley, Provincial, Visitador.

Entre os acontecimentos de certa importância verificados durante o tempo em que foi Provincial, mencionaremos ainda a partida de treze missionários para a Oceania, por ele preparada com todo desvelo, a ponto de permanecer por este motivo em Lyon nos meses de setembro e outubro de 1845 adiando todas as viagens exigidas pelo seu cargo.

Era preciso vê-lo e ouvi-lo então – afirma o Pe. Mayet – para compreender que amor e que zelo apostólico transbordavam de seu coração. Não há dúvida de que também ele teria voado para aquelas plagas longínquas, um dia ou outro, se Deus não lhe tivesse constantemente obstado o ardor generoso por meio de um estado de saúde incompatível com este gênero de apostolado.

Na verdade, Deus lhe colocara no coração um ardente desejo de propagar seu reino, não para mandá-lo ao meio dos infiéis, mas para promover pela pregação eucarística, seu soberano império na sociedade cristã, de onde se achava cada vez mais banido.

Seu zelo apostólico lhe atraía almas desejosas de progresso espiritual, e não havia ambiente social onde sua benéfica atividade, de uma forma ou de outra não conseguisse penetrar.

Foi nesta ocasião que teve a oportunidade de conhecer e dirigir uma humilde jovem de Lion, cujo nome está imortalmente ligado à Obra da Propagação da Fé: a Serva de Deus Paulina Maria Jaricot. Nos momentos mais dolorosos de sua vida de heróico apostolado, ela encontrou no Padre Eymard – a quem julgava um Santo – um fiel amparo e piedoso consolador.

Desta maneira podemos perceber que se São Pedro Julião Eymard não teve a consolação de ser enviado para as Missões às quais tanto sonhava, foi ele, no entanto, missionário pela pregação ardente e pelo desejo de reunir todos os povos aos pés do SSmo. Sacramento.

 

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