Penitência

Ao nos aproximarmos da Semana Santa, na qual celebraremos os Mistérios da nossa Salvação, certamente será proveitoso para todos nós meditarmos estas palavras de São Pedro Julião Eymard sobre a penitência:

Eis agora o tempo favorável, eis agora o dia da salvação (2Cor 6,2).

Meus irmãos, todos os dias são dias de graças; nós vivemos dos benefícios de Deus. Mas Deus tem dias privilegiados, dias de favores, nos quais Ele abre todos os Seus tesouros Divinos. Levantam-se para vós, meus irmãos, estes dias de bênçãos. E estamos felizes de vir vo-los anunciar: eis o tempo favorável. E nossa alegria será perfeita se vos tornardes dignos deles.

Mas a qual condição Deus coloca Suas graças preciosas? A uma só, meus irmãos, mas que pede toda a energia de vossa fé. Eis esta condição, é São Paulo quem no-la revela: ‘E agora, diz ele, Deus notifica aos homens que todos e em toda parte façam penitência’ (At 17,30). Penitência! Penitência cristã, penitência perfeita, eis o que Deus nos envia para expor-vos como a condição da salvação, a condição de suas graças, e a prova de vosso amor.


 

Diante de uma tão grande missão, meu coração desfalece e minha alma a teme. E quem não temeria uma missão de vida ou de morte! Um pensamento me encoraja, ele me consola, é a lembrança de vossa piedade e de vossa caridade. É a confiança em vossas orações.

Digo que a penitência é necessária à salvação.

Sim, meus irmãos, a penitência é necessária à salvação; ela é necessária aos pecadores para se converterem e aos justos para se santificarem. Vejamos as razões disto.

1. Em primeiro lugar a penitência é necessária aos pecadores.

Nada de mais justo.

O que é a penitência? É o pesar diante de um passado culpado, é a reparação, é a satisfação dada à santidade e à bondade de Deus ofendido, é um orgulhoso que se humilha, é um pecador sensual que mortifica seu corpo de pecado, é o homem injusto que restitui, é o vingativo que perdoa, é enfim o pecador que chora e faz penitência de seu pecado.

Nada de mais justo que conquistar seu perdão. O mundo não perdoa de outra forma. É uma condição tão natural que não dá para contestá-la. Eis porque quando o homem quer voltar para Deus, seu primeiro pensamento é um pensamento de penitência, de expiação. É este o caráter seguro de uma verdadeira conversão.

Madalena quer se converter e como prova, ela renuncia à vaidade, ela chora seus pecados, humilha-se aos pés do Salvador [cf. Lc 7,36-50], ela aceita o desprezo do mundo, sinal certo de sua conversão. Ela está convertida.

O publicano coberto de impureza quer se converter, e ei-lo no fundo do Templo, humilhado, não se julgando digno de levantar os olhos para o Céu, e contentando-se em dizer: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou um grande pecador!’ [cf. Lc 18,13] Eis a prova da maior conversão.

A penitência! Eis, portanto, a prova, o caráter de uma verdadeira conversão. Oh! portanto, meus irmãos, regozijai-vos com o Céu quando vedes um pecador, um grande pecador, dar o primeiro passo no caminho da penitência, quando ele se humilha, quando ele geme sob o peso de seus pecados, quando ele se mortifica, quando ele reza; regozijai-vos, ele está perto do Reino de Deus.

A penitência não é somente uma condição justa e razoável do perdão, da conversão; ela é, além disso, uma sua condição necessária.

Sem a penitência, não há misericórdia, por conseguinte não há salvação. Escutai estas palavras de Jesus Cristo: ‘Se não fizerdes penitência, perecereis todos de modo semelhante’ (Lc 13,5).

2. Penitência necessária aos justos.

A penitência é necessária aos pecadores para se converterem, como já falei. Acrescentei: a penitência é necessária aos justos para se santificarem. Vejamos esta necessidade.

Para prová-la, basta que eu vos apresente a vida dos Santos que sempre caminharam na via da inocência e da penitência. Por que, pois, esta vida tão penitente? É que ela era necessária a sua santidade, como o alimento é necessário à vida, e o trabalho à saúde.

Que vida mais penitente que a de Maria, passando-a na obscuridade, na humilhação e nos sofrimentos. Não é Ela a Mãe das Dores, a Rainha dos Mártires? Mas por que esta vida de penitência em Maria, a Virgem Imaculada, a mais Santa das criaturas? Ah! é que a penitência é a prova e a perfeição do amor divino. E que sem a penitência, o amor morre como a amizade sem sacrifício.

Almas justas, quereis conservar vosso estado de graça, o mais belo estado do mundo? Vivei penitentes… Mortificai vossos sentidos, diz São Pedro, pela modéstia e sobriedade (1Pd 5,8). Revesti vosso corpo, diz São Paulo, da mortificação de Jesus, a fim de que a vida de Jesus se enraize, se aperfeiçoe em vós (cf. 2Cor 4,10). Somente a este preço conservareis em vós o tesouro da graça e a liberdade dos filhos de Deus.

E se vós quereis, almas cristãs, receber as grandes graças da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo, é necessário que vos disponhais a elas pela penitência da Igreja.”

(Trecho de um sermão de São Pedro Julião Eymard)

A TODOS UMA FELIZ E SANTA PÁSCOA!

 

 

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